PAC HB 2016/2017 trouxe novidade com dados sobre Consumo Alimentar Residual

Por em 7 de setembro de 2017

Participaram da PAC 16 touros da raça Hereford e 18 Braford, oriundos de 13 criatórios do Rio Grande do Sul

Os touros Hereford e Braford vencedores da Prova de Avaliação a Campo (PAC) 2016/2017 foram divulgados no dia 22 de agosto, durante um Dia de Campo organizado pela Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB) em conjunto com a Embrapa Pecuária Sul, na sede da Empresa em Bagé (RS). O diferencial desta edição foi a inclusão de novos dados à prova, referentes ao Consumo Alimentar Residual (CAR) dos reprodutores, visando medir a eficiência alimentar de cada um deles.

Participaram da PAC 16 touros da raça Hereford e 18 Braford, oriundos de 13 criatórios do Rio Grande do Sul. “Notamos a evolução da qualidade dos animais e o reflexo disso na cadeia produtiva. Esse ano foi incorporada uma avaliação nova, em função das balanças eletrônicas e de precisão instaladas na área para avaliação de consumo que, além de avaliar os animais a campo, avalia também os animais confinados e concentrados por um período curto”, explica o Chefe Geral da Embrapa Pecuária Sul, Alexandre Varella.

Alexandre Varella e Fernando Lopa, dirigentes da Embrapa e da ABHB

Em sua 13ª edição com a raça Hereford e 22ª edição com a raça Braford, o desempenho dos animais foi muito bom no período em que os exemplares participaram da prova. “Não tivemos nenhum problema sanitário e nem de comportamento, tendo um ganho de peso acima de 800 gramas/dia, exclusivamente a pasto, recebendo somente sal mineral”, informou o coordenador da PAC, Roberto Collares.

O resultado mostra que os animais testados na PAC possuem mesmo uma genética superior e com futuro promissor como reprodutores. “Nós entendemos que as raças Hereford e Braford, nessas condições a campo, somente a pasto, demonstram uma genética apurada, de valor dentro da pecuária de corte nacional. O ganho de peso, a conformação animal e o bem-estar estiveram presentes nesta prova. Estamos todos muito satisfeitos”, relatou Collares.

Coordenador da PAC, Roberto Collares

Resultados PAC

Na raça Hereford, a grande campeã foi a Estância Guatambu, de Valter José Pötter, de Dom Pedrito (RS), com o touro tatuagem P1037, apresentando ganho médio diário (GMD) de 1,089Kg. A propriedade também levou o primeiro lugar na raça Braford com o touro tatutagem P118 e ganho médio diário (GMD) de 1,119Kg; além do segundo e terceiro lugares na raça Hereford e terceira posições na raça Braford, totalizando cinco premiações.Quem levou o segundo lugar da raça Braford foi o touro tatuagem K2632, com ganho médio diário (GMD) de 0,869Kg, pertencente à propriedade Sucessão Dário Silva Azambuja, de Arambaré (RS).

Resultados CAR

Já com relação aos ganhadores no quesito Consumo Alimentar Residual, os vencedores foram, na raça Hereford, a Estância Guatambu, em 1º lugar, com o animal Guatambu P1015, de propriedade de Valter José Pötter; a Fazenda São Fernando, de propriedade de João Souza Cavalcante, localizada em Alegrete (RS), em 2º lugar, com o reprodutor São Fernando 8705; e o touro Wolf 6310, da Wolf Parceria Agropecuária, de D. Pedrito (RS), na 3ª posição. Os melhores touros da raça Braford foram da Sucessão Doralício Lorentz Borges, de São Sepé (RS), que levou o 1º lugar com o exemplar São Bento do Verde 15105; o touro Rio Negro 5007 de Gustavo e Gilberto Camponogara, de Bagé (2º lugar) e o touro Sina Sina P165 de Alfeu de Medeiros Fleck, de Alegrete (RS), em 3º lugar.

Consumo Alimentar Residual

Durante a prova foram avaliados diferentes quesitos, definidos em conjunto entre a ABHB e a Embrapa Pecuária Sul, como ganho de peso diário, o ganho de peso total, morfologia, área de olho de lombo, gordura subcutânea, área escrotal entre outros. Porém, nesta edição da PAC, a novidade foi a inclusão de uma nova avaliação, o Consumo Residual Alimentar (CAR) que visa medir a eficiência alimentar dos touros.  Para isso, os animais foram deslocados para uma área controlada, com cochos automatizados, que controlam tanto a entrada e saída de cada animal, como o consumo por ele realizado. Por meio de chips nos animais e balanças nos cochos, todos dados são registrados e enviados em tempo real para um computador e também diretamente para os técnicos da PAC.

Antes de os animais irem para a prova que avalia o CAR, eles passaram por um período de 45 dias de adaptação no cocho para se acostumarem a comer. “Inicialmente precisamos de uns 20 dias para adaptar as bactérias do rúmen do animal para comerem o concentrado. Os alimentos no início eram fornecidos duas ou três vezes por dia, à medida que ia faltando alimento na caixa a gente ia repondo, para que nunca faltasse alimento. E íamos avaliando a questão metabólica de cada animal”, explica a pesquisadora Renata Suñé, responsável por acompanhar a parte nutricional da prova.

Pesquisador Marcos Yokoo

“O nosso interesse em confiná-los durante esse período foi medir a Eficiência Alimentar, tanto o Consumo Alimentar Residual quanto o Ganho de Peso Residual. Com essas informações sabemos como o animal aproveita esse alimento, de forma eficiente ou não, como ele ganha peso e a correlação entre essa eficiência de aproveitar o alimento, ganhar peso e o crescimento. Ou seja, como a genética afeta o desempenho do animal”, explica o pesquisador em melhoramento genético Marcos Yokoo, responsável por acompanhar o andamento da prova.

Yokoo conta ainda que em 2015 colocaram em prática pela primeira vez o projeto do CAR, quando tudo era feito manualmente. “Cada animal tinha que entrar em uma baia individual e a mensuração era realizada manualmente. Este ano tivemos o suporte de aparelhos para averiguar o consumo dos animais, em termos de mão de obra facilitou bastante e conseguimos ter uma medida mais precisa de cada animal. Neste ano, também, cada exemplar tinha um brinco e no momento que ele entrava no cocho o aparelho controlava quanto o animal tinha consumido. Essa tecnologia facilitou muito”, relatou o pesquisador Marcos Yokoo.

Como o CAR é calculado

O consumo de matéria seca (consumo alimentar) é ajustado ao peso metabólico do animal e pelo ganho de peso deste referido animal. Assim, o Consumo Alimentar Residual é a diferença entre o consumo de alimento observado e o estimado.  Desta forma, quanto mais negativo o CAR de um animal, melhor. O Ganho de peso residual é a diferença entre o GMD observado e o estimado com base no consumo de alimento e do peso metabólico. Assim, valores maiores  de  Ganho de peso residual  são favoráveis.

“Por exemplo, um animal de 500 kg que consumiu determinada quantidade de alimento, consumiu mais ou menos do que ele necessitava” explica o pesquisador. Então para aliar essa medida do CAR (Consumo Alimentar Residual), temos que trabalhar junto com o ganho de peso residual. Quer dizer, queremos aquele animal que realmente consumiu menos e que ganhou mais peso, ou seja, que cresceu mais”, resume Yokoo.

A Prova

Realizada pela Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB) em parceria com o Polo de Excelência Genética para raças Taurinas (PoloGen), da Embrapa Pecuária Sul, a Prova é uma importante ferramenta que a ABHB dispõe com foco no melhoramento genético contínuo das raças, buscando comparar, dentro de um mesmo ambiente, reprodutores de diferentes criatórios do sul do Brasil, com a finalidade de identificar exemplares superiores em termos de genética, aptos a produzir com rentabilidade, quantidade e qualidade uma carne que atenda às exigências da indústria e do consumidor.

Os dirigentes da ABHB Eduardo Valério Teixeira Souza e Fernando Lopa

Além das sete pesagens oficiais que verificaram o ganho de peso mensal dos animais, foram computadas pontuações destinadas aos itens musculatura, observado através da Área de Olho de Lombo (AOL), Precocidade ou Terminação, verificados através da Espessura de Gordura Subcutânea (EGS) e critérios objetivos contemplados com a verificação do perímetro escrotal. Completando a nota final, a análise dos parâmetros Subjetivos Morfológicos ou Fenotípicos, gerada através da avaliação de três Inspetores Técnicos Credenciados pela ABHB.

“Os desafios a que são submetidos estes animais durante a prova não encontramos parecido em outras provas de desempenho no Brasil, e, dificilmente, no mundo. Com o passar dos anos temos recebido sugestões e críticas, tentando melhorar a cada edição. A inserção do aspecto de consumo alimentar residual foi graças a um esforço grande da Embrapa. É uma tecnologia que estava faltando, pois conseguimos monitorar o animal que tem a melhor eficiência, com melhor ganho de peso e com isso aumenta o portfólio de características que o criador tem à disposição para adquirir essa genética”, destacou Fernando Lopa, CEO da ABHB.

“É uma prova em que os animais são realmente testados em todas as condições climáticas reais, de 5º a 45ºC; que tem uma pré-seleção genética, onde só podem participar os que estão enquadrados nos 40% melhores da geração avaliados a desmama apontados pelos programas de melhoramento homologados pela ABHB (ABHB/PampaPlus/Embrapa, Conexão Delta G e o Promebo). Um teste para durões e só participar da prova e ser aprovado já é um diferencial para o touro a ser valorizado por qualquer pecuarista ”, acrescentou Lopa.

Indagado sobre a superioridade da Guatambu nesta edição, que levou para casa cinco das seis principais premiações, Lopa foi enfático: “Um criatório de mais de 40 anos de seleção com base em um programa de melhoramento consistente, aliado a uma boa escolha fenotípica, mostra uma receita de sucesso para trabalhar com pecuária, exemplo que deve ser seguido por todos os pecuaristas”.

O diferencial dos animais que participam da PAC está sendo muito valorizado também, segundo o executivo da ABHB. As centrais de inseminação têm buscado adquirir essa genética para incluir nos seus portfólios de touros, tendo em vista o reconhecimento da Prova. Ele também relata as novidades para a próxima edição. “Estamos trabalhando para que possamos promover um grande remate virtual da Prova de Avaliação a Campo com pesquisadores da Embrapa e técnicos da ABHB explicando melhor a prova para o público e promovendo a venda desses reprodutores”.

Sem custos adicionais aos participantes, a realização do CAR foi fruto de uma iniciativa do Programa Geneplus, da Embrapa Gado de Corte e Embrapa Pecuária Sul, e foi aplicada nos animais participantes desta edição, oriundos de 13 criatórios gaúchos, sendo eles Estância Guatambu; Agropecuária Sereno Ltda; Estância Rio Negro; Estância do Bolso; Agropecuária São Pedro; Estância Silêncio; Estância Tamanca; Wolf Genética; Estância São Bento do Verde; P.A.P Namur Paixão Suñe; Fazenda Santa Tereza; Estância São Manoel e Cabanha São Fernando.

Por Dhésika Vidikin, estagiária de Jornalismo

Com informações da Embrapa Pecuária Sul

Edição: Tatiana Feldens, reg. Prof. 13.654

Ascom ABHB 

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

Translate »