O Braford Brasileiro em vitrine mundial

Presidentes das associaões e representantes das delegações participantes do Congresso Mundial Bradford18116_923301944392788_3143130699491860718_n10885237_736940943092134_5726668667734831589_n11078251_923442377712078_3423340154580249537_nA Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB) participou entre os dias 15 e 18 de março do 6º Congresso Mundial Braford, que aconteceu na cidade de Pretoria, na África do Sul.

O evento, que acontece a cada três anos, contou com a participação de delegações de diversos países como Brasil, África do Sul, Austrália, Paraguai, Argentina e Uruguai. Além do intercambio de informações sobre os trabalhos desenvolvidos em cada país, o Congresso mostrou o porquê a raça Braford está cada vez mais forte no mundo.

A próxima edição do Congresso será realizada no Texas, nos Estados Unidos, país este que também faz parte da Confederação Mundial Braford. O evento acontecerá concomitantemente com a Houston Livestock Show, uma das maiores feiras do setor agropecuário no mundo.

Fernando Lopa, presidente da Associação Brasileira de Hereford e Braford, palestrou sobre o trabalho e os projetos desenvolvidos pela ABHB e os diferenciais que o Braford brasileiro, que é feito a partir do cruzamento controlado entre o Hereford e o Nelore, tem na adaptação ao clima tropical. Confira a entrevista com o presidente a seguir.

10409273_923306107725705_8415808894140723074_n (1)Qual a importância deste evento para a divulgação da raça Braford mundialmente?

É a grande oportunidade, neste evento trienal, de mostrar ao mundo os avanços genéticos e de produtividade da raça Braford, a atual situação da raça e de suas associações nos países produtores e uma maneira de traçar estratégias para a continuidade da expansão mundial do Braford. Neste Congresso, muitos países africanos como Angola, Namíbia, Moçambique, entre outros, estavam representados e, sendo a África do Sul considerada, no continente africano, a porta de entrada de inovações na agropecuária, acredito que brevemente teremos um incremento do Braford em vários países daquele continente.

– Como líder da delegação brasileira, como avalia o evento?

Muito positivo e com diversos países do mundo Braford representados. Pudemos, também, ter uma ideia da produção pecuária da África do Sul, com visitas a Universidade, Instituto de Pesquisa, fazendas, frigorífico, remate, Feira Agropecuária e um confinamento de 25 mil cabeças estático, o que foi de grande valia para trocarmos experiências e avaliarmos o potencial para a realização de futuros negócios com o país.

Os sul-africanos organizaram muito bem o evento. Em duas noites foi promovida uma grande confraternização para 300 pessoas, o que aproximava todos os criadores, estudantes, técnicos, convidados internacionais, autoridades governamentais e interessados em conhecer a raça. Com certeza o Congresso dará um grande impulso na criação do Braford naquele país.

– Durante o Congresso o senhor explanou sobre a dimensão da pecuária no Brasil e os projetos desenvolvidos pela ABHB. Comente sobre a sua participação como painelista.

Minha intenção foi mostrar ao mundo o nosso Braford de Nelore, único no mundo, pois em outros países o Braford é feito com Brahman. No Brasil, temos mais de cinco biomas totalmente diferentes e mais de 100 milhões de cabeças criadas entre o Trópico e o Equador. Temos que ter animais adaptados as regiões equatoriais e subequatoriais, e nesse contexto, o animal mais adaptado é o Nelore, então, o nosso Braford, além de atender perfeitamente aos desafios dos climas temperados e tropicais,  também, tem excelente adaptação aos climas mais ao norte do trópico.

Temos que aprender a usar com inteligência as vantagens que a raça oferece, pois temos animais de biótipos mais azebuado e europeu; e formados com sangue Nelore e Brahman, para sermos imbatíveis na produção pecuária em qualquer lugar do mundo. Parece óbvio, mas, em alguns países, há algum preciosismo quanto à característica fenotípica do animal, querem que a cara seja branca e o animal com óculos como marca de pureza racial, em detrimento de uma das maiores virtudes do Braford, a capacidade de se adaptar a diversos sistemas de produção sem perda de produtividade. O Braford é uma raça composta, que tem um padrão racial, pois estamos mais interessados nas demais virtudes produtivas, imbatíveis, da raça. Daqui a 300 anos, com muita seleção e ferramentas de melhoramento genético (pois, para mim, não existe Braford sem programa de melhoramento genético) poderemos pensar em pureza, por enquanto temos que pensar em produção, mais precocidade para entrar na cria, acabamento de novilhos a pasto e no confinamento em menos tempo e na produção da carne “gourmet” que o Braford também produz. Ou seja, usar o Braford para resolver o problema que as raças puras europeias encontram quando tem que produzir em um ambiente adverso. “Nosso Braford vive, onde outras raças sobrevivem”.

– Acredita que os criadores de Braford, associados na ABHB, estão realizando um trabalho de evolução comparados aos demais países?

Sim. O Congresso mostrou bem isso. Nossos técnicos e criadores passaram anos indo à Austrália, Canadá e Estados Unidos em busca de conhecimento. Ora, aprendemos! A palestra do Dr. Fernando Cardoso, da Embrapa Pecuária Sul, foi a mais elogiada, sendo o único palestrante estrangeiro convidado a apresentar projeto no Instituto de Pesquisas em Agropecuária da África do Sul.

Nós temos muito mais Brafords avaliados em programa de melhoramento genético que qualquer país do mundo. Além do crivo genético, somos o único país que faz seleção de matrizes por fertilidade, isto é, se até 42 meses não apresentar prenhes, não recebe registro definitivo como Braford, a maioria de nossos criadores já descarta as fêmeas aos 30 meses – e não começamos agora – isso já tem mais de 30 anos. Nossos touros só recebem o registro definitivo se tiverem andrológico bom e até aos 36 meses, e, pasmem, isso é motivo de espanto em outros países. Somos o país que descarta anualmente 45% da produção de machos e fêmeas para uso como reprodutores ou matrizes Braford. É um trabalho impar no mundo, inclusive quando comparado a outras raças puras ou compostas.

Não por isso, para minha surpresa quando fui chamado para uma reunião com as autoridades do Ministério da Agricultura da África do Sul, eles estavam interessados em saber mais sobre o convênio que firmamos com o Quênia para transferência de genética HB e tecnologia na produção pecuária para pecuaristas até 500 hectares. E porque me surpreendi? Porque eles souberam do projeto pelas autoridades quenianas! Então, acho que estamos fazendo um bom trabalho!

– Qual o ponto que destaca como positivo para o fortalecimento e expansão da raça no Brasil?

O ponto de maior destaque, para mim, foi a consolidação do próximo Congresso Mundial Braford em Houston (2018), nos Estados Unidos. Isso mostra como o Braford vem crescendo no cenário mundial, pois os EUA, que participam da Confederação Mundial Braford desde 2004, pela primeira vez fez questão de levar o Congresso para uma das maiores feiras agropecuárias daquele país, o que vai abrir, em muito, o cenário para venda de genética Braford para o mundo. Então, só posso dar uma dica: invistam no Braford, ele é a bola da vez da pecuária mundial!

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