Padrão Racial Hereford e Polled Hereford

A raça Hereford, originária da Inglaterra e introduzida no Brasil no início do século vinte através dos países do Prata pelo estado do Rio Grande do Sul, apresenta em nosso meio um biótipo variante, em resposta à necessidade de adaptação à realidade climática subtropical brasileira.

A raça Hereford é prolífera e dócil; é precoce e composta de animais produtores de carne, destacando-se por bom rendimento de corte e sabor característico da presença do marmoreio em sua estrutura muscular. Os animais apresentam facilidade à terminação em resposta ao pastoreio, tanto extensivo, como intensivo e ao arraçoamento. A excelência é conquistada pela qualidade de seus cortes, apresentando na marmorização um produto final de sabor peculiar. A sua formação de gordura, em complementação ao desenvolvimento da musculatura, apresenta, como em qualquer animal em processo de engorde, depósitos graxos junto à carcaça, visualizados facilmente no retalho e percebidos sob o couro; no entanto, a raça Hereford é, reconhecidamente, produtora de carnes “magras”, ou seja, não excessivamente produtora de gorduras que se possam perceber como adiposidades no animal vivo. Devido à sua capacidade de metabolizar o caroteno dos alimentos ingeridos, transformando-os em vitamina “A”, a gordura dos indivíduos Hereford é de coloração branca, sendo, esta, outra característica que a qualifica entre os melhores animais produtores de carne.

1) ASPECTO GERAL :

O Hereford deve apresentar vivacidade, com bom tonus muscular e facilidade de movimentos; nobreza no porte, tanto em equilíbrio, como ao caminhar; olhar vivo, mas dócil, com boa aceitação do trato humano.

1.1) Físico : Porte médio à grande, segundo o Tipo Biológico buscado, em correlação com o meio criatório; de aparência forte, com boa massa muscular e equilíbrio entre os quartos traseiro e dianteiro.
1.2) Esqueleto : Ossatura forte, sem excessos e bem coberta pela musculatura.
1.3) Exterior :

1.3.1) Cor : Classicamente, o gado Hereford é conhecido pela cor vermelha, com a cabeça, extremidades e baixo ventre brancos. No biótipo brasileiro busca-se a predominância do vermelho claro – ressalvadas nos machos as variações de tons mais escuros do pescoço, paletas e costilhares, designativos de masculinidade – com menor percentagem de áreas brancas que o original inglês; à exceção da cabeça, o branco preferencialmente deve limitar-se à linha inferior do corpo, podendo apresentar ausência deste nas cruzes. Com a cor branca nas extremidades, os animais apresentam os cascos naturalmente brancos. Não são descartados, porém, animais com escassas áreas brancas nos aprumos, desde que isso não represente perda total das características, ou indivíduos sem o branco em sua totalidade, não excedendo à mais de um membro com essa coloração. Nesses casos, os cascos poderão Ter coloração vermelha.
1.3.2 ) Mucosa : Preferencialmente pigmentada. Na área periférica dos olhos e da boca, no nariz, úbere e testículos, será dada a preferência aos animais que apresentarem pigmentação, com vantagens para aqueles que tiverem mancha vermelha em cobertura aos olhos, desde que a cabeça permaneça com sua característica cor branca em superfície não inferior a 70%.(P)
1.3.3 ) Pêlo : Discreto, com facilidade de pelechar muito cedo na primavera, apresentando-o, quando pelechado, liso, brilhante e sentado no couro; exceção feita aos pêlos característicos (púbis, vassoura da cauda, orelhas) e dos diferenciais masculinos (pescoço e cogote).
1.3.4 ) Couro : Fino e solto nas regiões carnudas, mas aderido na cabeça e nas extremidades. Desde abaixo do queixo, para trás, apresenta pouca barbela; no pescoço a pele deve aderir, caindo naturalmente em direção ao peito, apresentando mínimas sobras nas axilas; ligado sob o tórax, até chegar ao prepúcio que não deve ser muito despegado. A equivalência do prepúcio dos machos é, nas fêmeas, o umbigo, que tampouco deve ser muito dilatado. A virilha deve Ter um desenho anguloso, desprezando-se as formas suaves e cheias.

(*) Em qualquer caso, inexiste a possibilidade de cor preta nos animais da raça Hereford, no couro, pêlo, mucosa, cascos, ou chifres.

2) MORFOLOGIA :

A raça Hereford apresenta indivíduos de físico equilibrado, com boa distribuição de marcadas massas musculares, de forma contínua, num corpo retangular, de linhas definidas por um lombo reto e nivelados, e patas aprumadas.

2.1) Cabeça : Forte e expressiva nos machos; descarnada e leve nas fêmeas; chanfro de comprimento médio, plano, ou côncavo.

2.1.1) Orelhas : de tamanho médio, providas de pelos internos de proteção, firmes, atentas e com boa mobilidade.
2.1.2) Olhos : Olhar vivo, mas dócil.
2.1.3) Chifres : Na variedade aspada, os chifres são simétricos e dirigidos em curva, para a frente e para baixo.

2.2) Pescoço : De aspecto cilíndrico nas fêmeas, com a pele ligada; forte nos machos, cheio no cupim coberto este por pêlos diferenciais masculinos, mantendo economia de carnes no plano inferior e ligando-se, harmônico, às omoplatas.

2.3) Dianteiro : Omoplatas harmonicamente desenvolvidas, em volume proporcional ao posterior, sem excessos musculares que as destaquem excessivamente do pescoço e do tórax, evitando-se excessiva abertura destas em sua visualização anterior.

2.4) Tórax : Alongado e forte, com linha superior paralela ao solo; o bastante despegado do chão como para permitir, através dos membros, uma boa mobilidade do animal.

2.4.1) Peito : Discreto volume nas fêmeas e pouco profundo nos machos, não ultrapassando a meia distância do comprimento do braço.
2.4.2) Costelas : Longas e arqueadas, dando volume ao tórax para abrigar os órgãos internos e um bom volume do aparelho digestivo; cobertas por musculatura definida, evitando-se cintura entre costelas e omoplatas. Matambre pouco profundo junto às virilhas.
2.4.3) Lombo : Longo, nivelado e firme.

2.5) Posterior : Quartos traseiros volumosos, com musculatura naturalmente alongada cobrindo os ossos longos, prevenindo-se contra a formação de “músculo duplo”.

2.5.1) Quadris : Idealiza-se o animal que visto lateralmente, tenha bom comprimento do osso ilíaco, emprestando comprimento aos quartos; visto pela retaguarda, o animal deve mostrar sua maior largura de quartos a meio da musculatura, entre o garrão e a anca; a junção intermédia dos quartos será alta, a nível pouco abaixo dessa maior largura; visto de cima, os ossos das cadeiras devem mostrar tendência a Ter a mesma largura, tanto em sua proção anterior como posterior, embora não devam ser largos em demasia, pois deve aparecer mais o músculo do que o osso.
2.5.2) Inserção de cauda : A cauda cai, desde a sua inserção nos quartos, naturalmente perpendicular ao dorso e a porção posterior do osso da bacia pélvica deve ser de nível inferior ao mesmo em sua porção anterior.

2.6) Aprumos : Patas mediamente longas, de ossatura forte, com boa postura sobre o solo, emprestando segurança à sua sustentação e à sua aparência nobre; devem estacionar sobre o terreno em marcação retangular, perpendiculares ao corpo, sem serem excessivamente separadas, ou demasiadamente juntas. O ângulo doa garrões, por isso, não pode ser acentuado, desprezando-se no entanto os animais de garrão com ângulo raso.

NOTA FINAL : Este padrão estipula características físicas para animais adultos, em completa formação, porém não demasiado avançados em idade.

——————————————————————————–
O presente padrão descrito foi uma sugestão apresentada no Seminário de 06 de abril de 1998, quando foi discutido com os concorrentes desse, para aprovação. Aprovado durante Seminário Hereford e Braford em 07/04/98 e homologado em reunião do Conselho Técnico da ABHB, em Porto Alegre, em 27/04/98.

Dr. Joal Brazzale Leal
Presidente Conselho Técnico ABHB

Ricardo P. Duarte
Redator.

Translate »